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NATUREZA HUMANA
Na Educação
Adventista, o ser humano não deve ser visto a partir de uma perspectiva
evolucionista, mas sim pela ótica criacionista.
Origem
O essencial a respeito da natureza humana numa perspectiva bíblica,
é que “Deus criou o homem à Sua imagem”, com
o direito de fazer escolhas (Gên. 1 :27). Assim o ser humano não
é um animal altamente desenvolvido, mas um indivíduo que
compartilha da natureza e caráter divinos; um ser que deve ser
entendido sob o ponto de vista de Deus, e não apenas pelas suas
faculdades físicas e racionais.
“Quando Adão
saiu das mãos do Criador, trazia ele em sua natureza física,
intelectual e espiritual, a semelhança de seu Criador. (...) Todas
as suas faculdades eram passíveis de desenvolvimento; sua capacidade
e vigor deveriam aumentar continuamente” (White, 1996ª:15).
Queda
Com a entrada do pecado a natureza humana foi modificada. A humanidade
rejeitou a Deus escolhendo seu próprio cami;nho. Assim, a imagem
divina, atribuída aos seres humanos na criação, foi
corrompida em todos os seus aspectos, e sua nature;za se tornou pecaminosa.
Desde então as pessoas começaram a enfrentar um grande conflito
interno e externo, entre as forças do bem e do mal, entre o desejo
de fazer o bem (bondade) e a inclinação para o mal (maldade).
Com o pecado a semelhança
divina se deslustrou, obliterando-se quase. Enfraqueceu a capacidade física
de homem e sua capacidade mental diminuiu; ofuscou-se-lhe a visão
espiritual. (...)
Pela transgressão, o homem ficou privado de aprender de Deus, mediante
a comunhão direta, e, em grande parte, mediante as Suas obras.
Com faculdades enfraquecidas e a visão restrita, tornou-se incapaz
de interpretar corretamente. Por misturar o mal com o bem, sua mente se
tornou confusa e entorpecidas suas faculdades mentais e espirituais (White,
1996ª:15,17).
Destino
A humanidade, entretanto, não
foi deixada sem esperança. Deus em Seu infinito amor e misericórdia,
tomou a iniciativa para renovar e restaurar Sua imagem nos seres humanos.
Foi concebido o plano da salvação, através do sacrifício
de Jesus Cristo.
Restaurar no homem a imagem
de seu Autor, levá-lo de novo à perfeição
em que fora criado, promover o desenvolvimento do corpo, espírito
e alma para que se pudesse realizar o propósito divino da sua criação
– tal deveria ser a obra da redenção. Este é
o objetivo da educação, o grande objetivo da vida (White,
1996ª:15-16).
EPISTEMOLOGIA CRISTÃ
A epistemologia se refere
ao modo como uma pessoa adquire conhecimento. Esta é uma das questões
fundamentais da existência humana. Para a Educação
Adventista, o conhecimento verdadeiro tem sua origem na fonte de toda
sabedoria — Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo -
e na revelação feita através de Jesus Cristo, das
Sagradas Escrituras, da natureza e da iniciativa divina de colocar no
ser humano uma abertura para o transcendente que lhe permite ouvir o chamado
de Deus.
Para conhecer a Deus é necessário ter comunhão com
Deus. Nessa comunhão, o agente que opera na mente humana é
o Espírito Santo, pois exerce impressões que contribuem
no processo de aquisição do conhecimento e de transformação
do caráter.
A Bíblia é a maior fonte de conhecimento e, portanto, a
base de autoridade epistemológica. Todas as outras fontes de saber
de;vem estar relacionadas às Escrituras Sagradas, que provêem
à inte;gração necessária do currículo
numa perspectiva cristã.
A Bíblia deve ser o grande educador em cada sala de aula, pois
é impossível estudar suas páginas sem ter o intelecto
disciplinado, enobrecido, purificado e refinado. A Palavra de Deus deve
ocupar o lugar do mais alto livro educativo e deve ser tratada com reverência.
Outra fonte de conhecimento de muita importância para a Educa;ção
Adventista é a natureza, com a qual o ser humano entra em conta;to
através da vida cotidiana e do estudo científico. Foi em
relação dire;ta com a natureza e todas as obras criadas
que Jesus se desenvolveu.
Aquele que fizera todas as
coisas estudou as lições que Sua pró;pria mão
escrevera na terra, no mar e no céu. [...] Adquiriu da natureza
acumulados conhecimentos científicos. Estudava a vida das plantas
e dos animais bem como a dos homens. [...] Encontrava recursos na natureza;
novas idéias de meios e modos brotavam-lhe da mente, ao estudar
a vida das plantas e animas. (...) Assim se revelava a Jesus o significado
da Palavra e das obras de Deus, ao buscar compreender a razão das
coisas (Whi;te, 2000b: 50, 51)
Segundo Knight (2001: 18]),
“o estudo da natureza certamen;te enriquece o entendimento humano
de seu ambiente. Também for;nece respostas para algumas das
muitas questões que não são tra;tadas na Bíblia”.
Entretanto, é preciso lembrar que existem proble;mas na interpretação
do mundo natural, porque toda a criação foi afetada pela
queda e entrou em degeneração. Por isso, as desco;bertas
científicas advindas ao Livro da natureza devem ser interpretadas
à luz da revelação bíblica.
A racionalidade humana também constitui uma fonte epistemológica.
A humanidade, que foi criada à imagem de Deus, é racional
em sua essência. Os seres humanos foram feitos para pensar de forma
abstrata e reflexiva, raciocinando da causa para o efeito. Assim, a razão
humana é um aspecto essencial no tocante ao ato de conhecer. Ajuda
a compreender a verdade e a expandir o conhecimento. Entretanto, não
é o elemento epistemológico básico. As descobertas
da razão também devem ser verificadas e aplicadas conforme
as escrituras.
Na epistemologia cristã,
é preciso ter clareza de que a Bíblia é a base do
entendimento nos diversos campos de estudo e que estes em contrapartida,
iluminam o sentido das Escrituras. Deus Se apresentou através da
Bíblia e da natureza, e podemos conhecer os diferentes aspectos
da vida através da razão, que Ele concedeu aos seres humanos.
Nesse sentido, o conhecimento se dá através das relações
interacionais, ou seja, pela relação da pessoa com o seu
semelhante, com a natureza, com a sua maneira de pensar e, principalmente,
com Deus.
Por isso, a produção do conhecimento secular deve estar
anco;rada no conhecimento verdadeiro. Todos os que exercem a função
de mediadores entre o educando e o objeto do conhecimento pre;cisam
valorizar as interações sociais, pois aguçam as capacidades
mentais e oportunizam a reflexão pessoal.
A EDUCAÇÃO ADVENTISTA
A educação cristã,
na concepção Adventista, é vista como uma atividade
redentora. O educando é considerado num todo, pois a pessoa inteira
é importante para Deus. Por isso, o objetivo da Edu;cação
Adventista é a restauração no ser humano, à
imagem de Deus, em seus aspectos físicos, intelectuais sociais
e espirituais.
Alunos na perspectiva cristã
devem ser vistos como crianças de Deus. Cada uma é um receptáculo
da imagem de Deus e alguém por quem Cristo morreu. Cada um portanto
tem possibilidades infinitas e eternas, o valor de cada aluno individualmente
só pode ser compreendido nos termos do preço pago por sua
restauração na cruz do calvário (Knight 2001: 209).
Nesse contexto, o educador
cristão não deve ser apenas um expositor da verdade, mas
uma pessoa especial que tem grande cuida;do pelos educandos sob sua
responsabilidade. Alguém que reconhece, respeita a individualidade
e valoriza o potencial de cada educando. Deve ser aquele que não
só detém o conhecimento acumulado historicamente pela humanidade,
mas que sabe estar por detrás deste agente mais que humano. Deve
conhecer a Deus por experiên;cia própria e ter consciência
de que o conhecimento humano não é algo acabado e que nossa
mente é finita. Em seu fazer pedagógico cria condições
para que o educando se aproprie do conhecimento que faz parte do patrimônio
cultural da humanidade de forma socializada e contextualizada ao conhecimento
verdadeiro.
O currículo enfatiza uma integração equilibrada entre
os aspec;tos espirituais, mentais, físicos e sociais a fim
de contribuir para a restauração da imagem e semelhança
de Deus no ser humano. Precisa desenvolver a pessoa por completo. Nesse
currículo a Bíblia é o documento fundamental e contextual.
Segundo Knight (2001: 239), “devemos reconhecer que não há
nada neutro em nosso programa de atividades. Todas as nossas atividades
são refreadoras e restauradoras ou diversivas e destrutivas. A
Bíblia é um critério primário para nos ajudar
a tomar decisões em todos os aspectos da educação
cristã (...), é o foco de integração para
todo o conhecimento, pois fornece uma perspectiva unificadora que vem
de Deus, a origem de toda verdade”.
A metodologia, por sua vez, prioriza a parceria do divino com o humano
através de práticas que despertem o desejo de aprender,
estimulando o espírito de investigação e relacionando
a teoria com a prática na construção do conhecimento.
A avaliação, na perspectiva cristã, é a intervenção
positiva no processo pedagógico, sustentada pela reflexão
sobre a prática. Tal reflexão ocorre quando educador e educando
conhecem os acertos e erros, encontros e desencontros ocorridos na prática
educativa, com o objetivo de retomar o rumo para alcançar os objetivos
propostos. Ressaltam-se, portanto, as relações interacionais
(homem - Deus - comunidade - natureza). Só assim o educando reco;nhecerá
os elementos que o distinguem como ser humano, projetado por Deus para
uma interação com seus semelhantes.
Deus olha o interior da pequenina semente que Ele próprio criou,
e nela vê encoberta a bela flor, o arbusto ou a grande e frondo;sa
árvore. Assim vê Ele as possibilidades em toda a criatura
hu;mana. Achamo-nos aqui para determinado fim. Deus nos deu o plano
que tem para a nossa vida, e deseja que alcancemos a mais alta norma de
desenvolvimento (White 1997a: 397).
FINS E PRINCÍPIOS NORTEADORES
MISSÃO
Promover, através da
educação cristã, o desenvolvimento harmônico
dos educandos, nos aspectos físicos, intelectuais, sociais e espirituais,
formando cidadãos pensantes e úteis à comunidade,
à pátria e a Deus.
VISÃO
Ser um sistema educacional
reconhecido pela excelência, fundamentado em princípios ético-cristãos,
com ampla participação no setor educacional.
OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO ADVENTISTA
A Educação Adventista compreende o processo educativo para
além de um certo curso de estudos. “Significa mais do que
a prepa;ração para a vida presente. Visa o ser todo,
e todo o período da exis;tência possível do homem.
É o desenvolvimento harmônico das facul;dades físicas,
mentais e espirituais. Prepara o estudante para o gozo ao serviço
neste mundo e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço
no mundo vindouro” (White, 1996a:13).
Partindo do pressuposto de que o ser humano necessita ser restaurado a
seu
estado original de perfeição, a Educação Adven;tista
se propõe a alcançar os seguintes objetivos:
a) Promover o reconhecimento
de Deus como fonte de toda sabedoria. “Todo saber o desenvolvimento
real têm sua fonte no conhecimento de Deus” (White, 1996a:
14).
b) Reconhecer e aplicar a Bíblia como referencial de conduta. “O
ensino da Bíblia deve ter os nossos mais espontâneos pensamentos,
nossos melhores métodos, e o nosso mais fervoroso esforço”
(White, 1996a:186).
c) Estimular o estudo, a proteção e a conservação
da natureza criada por Deus. “ O livro da natureza é um grande
compêndio que devemos usar em conexão com as Sagradas Escrituras
para ensinar a outros sobre Seu caráter e reconduzir ovelhas ao
redil de Deus. (...) Em si mesmo o encanto da natureza desvia a alma,
do pecado e das atrações mundanas, para a pureza, para a
paz e para Deus (White, 1997c: 24).
d) Incentivar a utilização das faculdades mentais na aquisição
e construção do conhecimento em favor do bem comum, tendo
como ferramenta as diferentes fontes de informação e recursos
tecnológicos. “O intelecto humano precisa expandir-se, e
adquirir vigor, agude;za e atividade. (...) A mente deve idear, trabalhar
e esforçar-se a fim de dar solidez e vigor ao intelecto”
(White, 1996b: 226). “A mente humana quer ter ação.
Se não estiver ativa, na reta di;reção, será
ativa no erro” (White, 1989:1:51).
e) Promover a aquisição de hábitos saudáveis
através do conheci;mento do corpo e das leis que o regem. “As
leis que governam nosso organismo físico, Deus as escreveu so;bre
cada nervo, músculo ou fibra do corpo. Cada violação
des;cuidada ou negligente destas leis constitui um pecado contra o
nosso Criador (...) Um conhecimento da fisiologia e higiene deve ser a
base de todo esforço educativo (White, 1996a: 196, 197). Os que
estão recebendo o preparo para o serviço, sofrem gran;de
perda quando não adquirem conhecimento de como prepa;rar o
alimento de maneira que seja ao mesmo tempo saudável e saboroso
(White, 2000a. 312).
f) Oportunizar o desenvolvimento do senso crítico, da criatividade
da pesquisa e do pensamento reflexivo. “As verdades da divina Palavra
podem ser melhor aprendidas pelo cristão intelectual. Cristo pode
ser glorificado melhor por aqueles que O servem com inteligência”
(White, 2000a: 361).
g) Incentivar o desenvolvimento dos deveres práticos da vida diária,
a sábia escolha profissional, a formação familiar,
o serviço a Deus e à comunidade. “Os estudantes devem,
enquanto na escola, ser despertados de suas sensibilidades morais no que
respeita a ver e sentir os direitos que a sociedade tem sobre eles, e
que devem viver em obediência às leis naturais, de modo a
poderem, por sua vida e influência, por preceito e exemplo, ser
para essa sociedade proveito e bênção (White, 2000a:
84).O trabalho manual útil faz parte do plano evangélico.
(...) Cada um deve adquirir conhecimentos em algum ramo de trabalho manual
que, em caso de necessidade, lhe possa proporcionar um meio de vida. Isso
é essencial, não somente como salvaguarda contra as vicissitudes
da vida, mas em virtude de seu efeito sobre o desenvolvimento físico,
mental e moral (White, 2000a: 307).
h) Promover a autonomia e a autenticidade ancorados nos valores bíblico-cristãos.
Ao sacrificar o estudante a faculdade de raciocinar e julgar por si mesmo,
torna-se incapaz de discernir entre a verdade e o erro e cai fácil
presa do engano. É facilmente levado a seguir a tradição
e o costume” (White,1996a:230).
i) Favorecer o desenvolvimento da auto-estima positiva, do sentimento
de aceitação e de segurança. “Tanto quanto
possível, deve cada criança ser ensinada a ter con;fiança
em si mesma. Pondo em exercício as várias faculdades, aprenderá
onde é mais forte e em que é deficiente. O instrutor sábio
dará especial atenção ao desenvolvimento dos traços
mais fracos, para que a criança possa formar um caráter
bem equili;brado e harmonioso (White, 1996b: 57).
j) Resgatar a prática da regra áurea nos relacionamentos
interpes;soais, que é amar ao próximo como a si mesmo.
“Toda criança deve ser ensinada a ser delicada, compassiva,
amável, piedosa, cortês e de coração terno”
(White 2000b: 143). A cooperação deve ser o espírito
da sala de aulas, a lei de sua vida. [...] Isto fomentará o respeito
próprio e o desejo de ser útil. Valioso seria aos jovens,
aos pais, aos professores, estudarem as lições de cooperação
que encontramos nas Escrituras (White, 1996: 285, 286) |
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