A Educação Adventista considera a
Bíblia como a fonte ao auto revelação de Deus e aceita como fundamentos básicos
da visão bíblica cristã os seguintes aspectos:
• a existência de um Deus
Criador; a criação do Universo perfeito e do ser humano à imagem de Deus com
livre-arbítrio;
• o surgimento do pecado a partir
da rebelião de Lúcifer; a queda do ser humano em pecado e a perda parcial da
imagem de Deus;
• a inabilidade do ser humano de
restaurar a própria natureza sem o auxilio divino;
• a iniciativa de Deus para a
restauração do ser humano através do nascimento, vida, morte e ressurreição de
Jesus Cristo;
• a ação do Espírito Santo no
plano da restauração da imagem de Deus na humanidade;
• o retorno de Cristo para pôr
fim à história terrestre em sua fase de pecado; a restauração do mundo e dos
seres humanos à sua condição original. Mediante tal fundamento bíblico-cristão,
a Educação Adventista também se coloca diante das grandes questões filosóficas
no tocante aos aspectos antropológicos, epistemológicos e, conseqüentemente,
educacionais da existência humana.
NATUREZA HUMANA
Na Educação Adventista, o ser
humano não deve ser visto a partir de uma perspectiva evolucionista, mas sim
pela ótica criacionista.
Origem
O essencial a respeito da
natureza humana numa perspectiva bíblica, é que “Deus criou o homem à Sua
imagem”, com o direito de fazer escolhas (Gên. 1 :27). Assim o ser humano não é
um animal altamente desenvolvido, mas um indivíduo que compartilha da natureza
e caráter divinos; um ser que deve ser entendido sob o ponto de vista de Deus,
e não apenas pelas suas faculdades físicas e racionais. “Quando Adão saiu das
mãos do Criador, trazia ele em sua natureza física, intelectual e espiritual, a
semelhança de seu Criador. (...) Todas as suas faculdades eram passíveis de
desenvolvimento; sua capacidade e vigor deveriam aumentar continuamente”
(White, 1996ª:15).
Queda
Com a entrada do pecado a
natureza humana foi modificada. A humanidade rejeitou a Deus escolhendo seu
próprio cami;nho. Assim, a imagem divina, atribuída aos seres humanos na
criação, foi corrompida em todos os seus aspectos, e sua nature;za se tornou
pecaminosa.
Desde então as pessoas começaram
a enfrentar um grande conflito interno e externo, entre as forças do bem e do mal,
entre o desejo de fazer o bem (bondade) e a inclinação para o mal (maldade).
Com o pecado a semelhança divina se deslustrou, obliterando-se quase.
Enfraqueceu a capacidade física
de homem e sua capacidade mental diminuiu; ofuscou-se-lhe a visão espiritual.
(...) Pela transgressão, o homem ficou privado de aprender de Deus, mediante a
comunhão direta, e, em grande parte, mediante as Suas obras. Com faculdades
enfraquecidas e a visão restrita, tornou-se incapaz de interpretar
corretamente. Por misturar o mal com o bem, sua mente se tornou confusa e
entorpecidas suas faculdades mentais e espirituais (White, 1996ª:15,17).
Destino
A humanidade, entretanto, não foi
deixada sem esperança. Deus em Seu infinito amor e misericórdia, tomou a
iniciativa para renovar e restaurar Sua imagem nos seres humanos. Foi concebido
o plano da salvação, através do sacrifício de Jesus Cristo. Restaurar no homem
a imagem de seu Autor, levá-lo de novo à perfeição em que fora criado, promover
o desenvolvimento do corpo, espírito e alma para que se pudesse realizar o
propósito divino da sua criação – tal deveria ser a obra da redenção. Este é o
objetivo da educação, o grande objetivo da vida (White, 1996ª:15-16).
EPISTEMOLOGIA CRISTÃ
A epistemologia se refere ao modo
como uma pessoa adquire conhecimento. Esta é uma das questões fundamentais da
existência humana. Para a Educação Adventista, o conhecimento verdadeiro tem
sua origem na fonte de toda sabedoria — Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito
Santo - e na revelação feita através de Jesus Cristo, das Sagradas Escrituras,
da natureza e da iniciativa divina de colocar no ser humano uma abertura para o
transcendente que lhe permite ouvir o chamado de Deus.
Para conhecer a Deus é necessário
ter comunhão com Deus. Nessa comunhão, o agente que opera na mente humana é o
Espírito Santo, pois exerce impressões que contribuem no processo de aquisição
do conhecimento e de transformação do caráter. A Bíblia é a maior fonte de
conhecimento e, portanto, a base de autoridade epistemológica. Todas as outras
fontes de saber de;vem estar relacionadas às Escrituras Sagradas, que provêem à
inte;gração necessária do currículo numa perspectiva cristã.
A Bíblia deve ser o grande
educador em cada sala de aula, pois é impossível estudar suas páginas sem ter o
intelecto disciplinado, enobrecido, purificado e refinado. A Palavra de Deus
deve ocupar o lugar do mais alto livro educativo e deve ser tratada com
reverência. Outra fonte de conhecimento de muita importância para a Educa;ção
Adventista é a natureza, com a qual o ser humano entra em conta;to através da
vida cotidiana e do estudo científico. Foi em relação dire;ta com a natureza e
todas as obras criadas que Jesus se desenvolveu. Aquele que fizera todas as
coisas estudou as lições que Sua pró;pria mão escrevera na terra, no mar e no
céu. [...] Adquiriu da natureza acumulados conhecimentos científicos.
Estudava a vida das plantas e dos
animais bem como a dos homens. [...] Encontrava recursos na natureza; novas
idéias de meios e modos brotavam-lhe da mente, ao estudar a vida das plantas e
animas. (...) Assim se revelava a Jesus o significado da Palavra e das obras de
Deus, ao buscar compreender a razão das coisas (Whi;te, 2000b: 50, 51) Segundo
Knight (2001: 18]), “o estudo da natureza certamen;te enriquece o entendimento
humano de seu ambiente. Também for;nece respostas para algumas das muitas
questões que não são tra;tadas na Bíblia”. Entretanto, é preciso lembrar que
existem proble;mas na interpretação do mundo natural, porque toda a criação foi
afetada pela queda e entrou em degeneração. Por isso, as desco;bertas
científicas advindas ao Livro da natureza devem ser interpretadas à luz da
revelação bíblica.
A racionalidade humana também
constitui uma fonte epistemológica. A humanidade, que foi criada à imagem de
Deus, é racional em sua essência. Os seres humanos foram feitos para pensar de
forma abstrata e reflexiva, raciocinando da causa para o efeito. Assim, a razão
humana é um aspecto essencial no tocante ao ato de conhecer. Ajuda a
compreender a verdade e a expandir o conhecimento.
Entretanto, não é o elemento
epistemológico básico. As descobertas da razão também devem ser verificadas e
aplicadas conforme as escrituras. Na epistemologia cristã, é preciso ter
clareza de que a Bíblia é a base do entendimento nos diversos campos de estudo
e que estes em contrapartida, iluminam o sentido das Escrituras. Deus Se
apresentou através da Bíblia e da natureza, e podemos conhecer os diferentes
aspectos da vida através da razão, que Ele concedeu aos seres humanos.
Nesse sentido, o conhecimento se
dá através das relações interacionais, ou seja, pela relação da pessoa com o
seu semelhante, com a natureza, com a sua maneira de pensar e, principalmente,
com Deus. Por isso, a produção do conhecimento secular deve estar anco;rada no
conhecimento verdadeiro.
Todos os que exercem a função de
mediadores entre o educando e o objeto do conhecimento pre;cisam valorizar as
interações sociais, pois aguçam as capacidades mentais e oportunizam a reflexão
pessoal.
A EDUCAÇÃO ADVENTISTA
A educação cristã, na concepção
Adventista, é vista como uma atividade redentora. O educando é considerado num
todo, pois a pessoa inteira é importante para Deus. Por isso, o objetivo da
Edu;cação Adventista é a restauração no ser humano, à imagem de Deus, em seus
aspectos físicos, intelectuais sociais e espirituais.
Alunos na perspectiva cristã
devem ser vistos como crianças de Deus. Cada uma é um receptáculo da imagem de
Deus e alguém por quem Cristo morreu. Cada um portanto tem possibilidades
infinitas e eternas, o valor de cada aluno individualmente só pode ser
compreendido nos termos do preço pago por sua restauração na cruz do calvário
(Knight 2001: 209). Nesse contexto, o educador cristão não deve ser apenas um
expositor da verdade, mas uma pessoa especial que tem grande cuida;do pelos
educandos sob sua responsabilidade. Alguém que reconhece, respeita a
individualidade e valoriza o potencial de cada educando.
Deve ser aquele que não só detém
o conhecimento acumulado historicamente pela humanidade, mas que sabe estar por
detrás deste agente mais que humano. Deve conhecer a Deus por experiên;cia
própria e ter consciência de que o conhecimento humano não é algo acabado e que
nossa mente é finita. Em seu fazer pedagógico cria condições para que o
educando se aproprie do conhecimento que faz parte do patrimônio cultural da
humanidade de forma socializada e contextualizada ao conhecimento verdadeiro. O
currículo enfatiza uma integração equilibrada entre os aspec;tos espirituais,
mentais, físicos e sociais a fim de contribuir para a restauração da imagem e
semelhança de Deus no ser humano. Precisa desenvolver a pessoa por completo.
Nesse currículo a Bíblia é o
documento fundamental e contextual. Segundo Knight (2001: 239), “devemos
reconhecer que não há nada neutro em nosso programa de atividades. Todas as
nossas atividades são refreadoras e restauradoras ou diversivas e destrutivas.
A Bíblia é um critério primário para nos ajudar a tomar decisões em todos os
aspectos da educação cristã (...), é o foco de integração para todo o
conhecimento, pois fornece uma perspectiva unificadora que vem de Deus, a
origem de toda verdade”.
A metodologia, por sua vez,
prioriza a parceria do divino com o humano através de práticas que despertem o
desejo de aprender, estimulando o espírito de investigação e relacionando a
teoria com a prática na construção do conhecimento. A avaliação, na perspectiva
cristã, é a intervenção positiva no processo pedagógico, sustentada pela
reflexão sobre a prática. Tal reflexão ocorre quando educador e educando
conhecem os acertos e erros, encontros e desencontros ocorridos na prática
educativa, com o objetivo de retomar o rumo para alcançar os objetivos
propostos. Ressaltam-se, portanto, as relações interacionais (homem - Deus -
comunidade - natureza).
Só assim o educando reco;nhecerá
os elementos que o distinguem como ser humano, projetado por Deus para uma
interação com seus semelhantes. Deus olha o interior da pequenina semente que
Ele próprio criou, e nela vê encoberta a bela flor, o arbusto ou a grande e
frondo;sa árvore. Assim vê Ele as possibilidades em toda a criatura hu;mana.
Achamo-nos aqui para determinado fim. Deus nos deu o plano que tem para a nossa
vida, e deseja que alcancemos a mais alta norma de desenvolvimento (White 1997a:
397).
FINS E PRINCÍPIOS NORTEADORES
MISSÃO
Promover, através da educação
cristã, o desenvolvimento harmônico dos educandos, nos aspectos físicos,
intelectuais, sociais e espirituais, formando cidadãos pensantes e úteis à
comunidade, à pátria e a Deus.
VISÃO
Ser um sistema educacional
reconhecido pela excelência, fundamentado em princípios ético-cristãos, com
ampla participação no setor educacional.
OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO ADVENTISTA
A Educação Adventista compreende
o processo educativo para além de um certo curso de estudos. “Significa mais do
que a preparação para a vida presente.
Visa o ser todo, e todo o período
da existência possível do homem. É o desenvolvimento harmônico das faculdades
físicas, mentais e espirituais. Prepara o estudante para o gozo ao serviço
neste mundo e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no
mundo vindouro” (White, 1996a:13). Partindo do pressuposto de que o ser humano
necessita ser restaurado a seu estado original de perfeição, a Educação
Adven;tista se propõe a alcançar os seguintes objetivos:
a) Promover o reconhecimento de
Deus como fonte de toda sabedoria. “Todo saber o desenvolvimento real têm sua
fonte no conhecimento de Deus” (White, 1996a: 14).
b) Reconhecer e aplicar a Bíblia
como referencial de conduta. “O ensino da Bíblia deve ter os nossos mais
espontâneos pensamentos, nossos melhores métodos, e o nosso mais fervoroso
esforço” (White, 1996a:186).
c) Estimular o estudo, a proteção e a
conservação da natureza criada por Deus. “ O livro da natureza é um grande
compêndio que devemos usar em conexão com as Sagradas Escrituras para ensinar a
outros sobre Seu caráter e reconduzir ovelhas ao redil de Deus. (...) Em si
mesmo o encanto da natureza desvia a alma, do pecado e das atrações mundanas,
para a pureza, para a paz e para Deus (White, 1997c: 24).
d) Incentivar a utilização das
faculdades mentais na aquisição e construção do conhecimento em favor do bem
comum, tendo como ferramenta as diferentes fontes de informação e recursos
tecnológicos. “O intelecto humano precisa expandir-se, e adquirir vigor,
agude;za e atividade. (...) A mente deve idear, trabalhar e esforçar-se a fim
de dar solidez e vigor ao intelecto” (White, 1996b: 226). “A mente humana quer
ter ação. Se não estiver ativa, na reta di;reção, será ativa no erro” (White,
1989:1:51).
e) Promover a aquisição de
hábitos saudáveis através do conheci;mento do corpo e das leis que o regem. “As
leis que governam nosso organismo físico, Deus as escreveu so;bre cada nervo,
músculo ou fibra do corpo. Cada violação des;cuidada ou negligente destas leis
constitui um pecado contra o nosso Criador (...) Um conhecimento da fisiologia
e higiene deve ser a base de todo esforço educativo (White, 1996a: 196, 197).
Os que estão recebendo o preparo para o serviço, sofrem gran;de perda quando
não adquirem conhecimento de como prepa;rar o alimento de maneira que seja ao
mesmo tempo saudável e saboroso (White, 2000a. 312).
f) Oportunizar o desenvolvimento
do senso crítico, da criatividade da pesquisa e do pensamento reflexivo. “As
verdades da divina Palavra podem ser melhor aprendidas pelo cristão
intelectual. Cristo pode ser glorificado melhor por aqueles que O servem com
inteligência” (White, 2000a: 361).
g) Incentivar o desenvolvimento
dos deveres práticos da vida diária, a sábia escolha profissional, a formação
familiar, o serviço a Deus e à comunidade. “Os estudantes devem, enquanto na
escola, ser despertados de suas sensibilidades morais no que respeita a ver e
sentir os direitos que a sociedade tem sobre eles, e que devem viver em
obediência às leis naturais, de modo a poderem, por sua vida e influência, por
preceito e exemplo, ser para essa sociedade proveito e bênção (White, 2000a:
84).O trabalho manual útil faz parte do plano evangélico. (...) Cada um deve
adquirir conhecimentos em algum ramo de trabalho manual que, em caso de
necessidade, lhe possa proporcionar um meio de vida. Isso é essencial, não
somente como salvaguarda contra as vicissitudes da vida, mas em virtude de seu
efeito sobre o desenvolvimento físico, mental e moral (White, 2000a: 307).
h) Promover a autonomia e a
autenticidade ancorados nos valores bíblico-cristãos. Ao sacrificar o estudante
a faculdade de raciocinar e julgar por si mesmo, torna-se incapaz de discernir
entre a verdade e o erro e cai fácil presa do engano. É facilmente levado a
seguir a tradição e o costume” (White,1996a:230).
i) Favorecer o desenvolvimento da
auto-estima positiva, do sentimento de aceitação e de segurança. “Tanto quanto
possível, deve cada criança ser ensinada a ter con;fiança em si mesma. Pondo em
exercício as várias faculdades, aprenderá onde é mais forte e em que é
deficiente. O instrutor sábio dará especial atenção ao desenvolvimento dos
traços mais fracos, para que a criança possa formar um caráter bem equili;brado
e harmonioso (White, 1996b: 57).
j) Resgatar a prática da regra
áurea nos relacionamentos interpes;soais, que é amar ao próximo como a si
mesmo. “Toda criança deve ser ensinada a ser delicada, compassiva, amável,
piedosa, cortês e de coração terno” (White 2000b: 143). A cooperação deve ser o
espírito da sala de aulas, a lei de sua vida. [...] Isto fomentará o respeito
próprio e o desejo de ser útil. Valioso seria aos jovens, aos pais, aos
professores, estudarem as lições de cooperação que encontramos nas Escrituras
(White, 1996: 285, 286)
Av. Cuiabá, 1311 - Jd. Leblon - Campo Grande MS
(67) 3386-2670